Esporte - 15/04/17 (20:24:21) Dr Cláudio Levada confirma situação difícil para o Paulista
´Está mais fácil aparecer alguém para fechar o caixão do que um patrocinador´, disse

*

“PAULISTA: É O FIM? Sempre é difícil falar de uma situação de fracasso, de mau desempenho, em relação a qualquer assunto. Ainda mais grave, quando esse assunto é o futebol do clube de sua cidade, logo após amargar mais um rebaixamento. Sendo o futebol a mais importante das coisas menos importantes o assunto acumula paixões, amor e ódio em igual intensidade, muitas vezes gerando tragédias em situações que não deveriam passar de mero entretenimento e diversão. Claro que, entre nós jundiaienses, o clube fracassado e rebaixado é o Paulista. Clube que em maio completará 108 anos de fundação e que, entre muitos baixos e poucos altos, possui no entanto os títulos muito expressivos da Copinha e principalmente da Copa do Brasil, o segundo campeonato mais importante do país e que o conduziu pela primeira e até aqui única vez à Libertadores da América (onde teve desempenho regular, mas não vexatório; chegamos a ganhar do River Plate, 2 a 1, aqui em Jayme Cintra). Caímos mais uma vez. O fato é doloroso e precisa ser objeto de análise isenta. De forma imediata, óbvio que a queda se deu pela formação de um time ruim, fraco e sem personalidade; começou com um técnico inexpressivo, que teve meses para montar e treinar o elenco e nada fez (Carlinhos); continuou com um futuro bom
técnico, voluntarioso e de boa-fé, mas que foi boicotado por tentar introduzir dois ou três jogadores que tiveram boa atuação na Copinha (Umberto); e terminou com um técnico experiente, também de boa-fé, que após um bom início perdeu o controle do grupo e não conseguiu a reação necessária (Sérgio Caetano). Por que o técnico perdeu o grupo, que passou de time para um bando sem vontade e sem caráter, não sei; o dia a dia de um clube tanto pode unir como desunir e enfraquecê-lo, nisso havendo a responsabilidade, sim, da Diretoria como um todo, desde o gerente de futebol ao Presidente, sem isentar o Conselho de Administração, que presido, e logicamente toda a Comissão Técnica. Mas o problema não é circunstancial e sim estrutural. O formato atual dos clubes de futebol os deixa à mercê dos donos do dinheiro: empresários, patrocinadores ocasionais, mecenas eventuais. Um clube pequeno como o Paulista, cuja torcida habitual comparece em regra em poucas centenas aos jogos, e que erradamente deixou de dar a devida atenção às categorias de base – passando a montar times com “ciganos do futebol”, sem compromisso algum com a cidade, meros aventureiros de passado e presente medíocres e sem futuro -, um clube como o Paulista é eterno refém desses grupos e está perpetuamente em estado pré-falimentar, atolado em dívidas reais e muitas outras criadas por espertalhões variados que por serviços pífios prestados cobram fortunas (muitas vezes aceitas na Justiça Trabalhista) desproporcionais e que nos fazem afundar mais e mais no abismo econômico e financeiro. É muito, muito simplista procurar culpados nesta ou naquela Diretoria, neste ou naquele time mal formado. Dias de glória no passado não significam dinheiro atual em caixa nem solvência garantida, se não houver fluência ininterrupta de créditos que permitam a manutenção não apenas de um time momentâneo, mas do estádio e dos funcionários permanentes do quadro administrativo. Os únicos que não recebem por sua atuação são Diretores e Conselheiros, no mais das vezes abnegados torcedores mas, ao mesmo tempo, com pouca disponibilidade de tempo e pouca compreensão do mundo do futebol, que não é para iniciantes ou amadores. Quando tudo dá certo, por uma conjunção astral de fatores favoráveis, todos vibram e enaltecem técnico e jogadores (quanto aos Diretores, o que dizem é que pelo menos não atrapalharam, ou não fizeram mais do que a obrigação); quando Júpiter se desalinha com Vênus e tudo dá errado, a culpa recai de modo imediato nos Diretores que montaram um time ruim e que, com certeza, ainda tiraram algum proveito econômico da situação- quando na verdade muitos colocam dinheiro do bolso e ainda têm bens bloqueados, como tenho visto em todos esses anos. Assimetria flagrante, mas própria do torcedor e do próprio ser humano em geral.Fora desses fatos e repercussões, porém, o que releva é que todo o sistema atual do futebol profissional é, para os clubes pequenos, altamente deficitário e obsoleto, inviável mesmo. Grandes clubes conseguem manter-se – e ainda assim devendo milhões para órgãos como a Previdência Social – porque possuem milhões de torcedores e atraem grandes patrocínios, além de venderem seus produtos por todo o país; um clube como o Paulista sobrevive de virtuais “donativos” e pequenos patrocínios pontuais, além de verbas da Federação e da televisão que vão minguando a cada rebaixamento e distanciamento das séries principais e agora, na B1, praticamente deixam de existir. Morremos? Provavelmente não. Mas estamos, melancolicamente, lutando apenas para manter ligados os aparelhos de entubação que nos mantêm em um estado vegetativo que se aproxima do coma profundo. Ofender, ameaçar, reclamar, pode criar no torcedor um estado positivo de ânimo, uma catarse, até para deixar claro que ele, torcedor, nada tem a ver com o rebaixamento e as dívidas (só tem a ver com os créditos e as vitórias); compreensível e natural, mas nada disso é receita para nos tirar da UTI, salvar o estádio ou pagar as dívidas. Resta agora aguardar um novo mecenas, um patrocínio empresarial inesperado ou o surgimento de um ou mais jogadores valorizados, que nos pertençam e possam ser vendidos para pagar o que devemos; pela lei das probabilidades, porém, é mais fácil surgir um martelo e um prego para fechar de vez o caixão.”

* Dr Cláudio Levada é também desembargador do Tribunal de Justiça do Estado.

Fonte: Dr. Cláudio Levada, conselheiro do Paulista FC


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